Sofia Diniz e Fernando Miguel Jaloto – As 3 Sonatas para Viola da Gamba e Cravo

Capitólio

31 de Maio
19:00
Descrição

Notas de Programa por Fernando Miguel Jaloto

As sonatas para viola da gamba e cravo, BWV 1027–1029, são três sonatas compostas por Johann Sebastian Bach para viola da gamba e cravo, provavelmente no final da década de 1730 e início da década de 1740. São obras de uma beleza única, que se manifesta não só no requinte da sua composição, nomeadamente na maneira como combinam a escrita concertante com a forma da sonata barroca, mas também no virtuosismo que exigem dos seus interpretes. A datação destas três obras de Bach e algo problemática, não só porque apenas subsiste uma partitura autografa da primeira sonata, como e do consenso geral que todas elas são o resultado de transcrições e adaptações feitas pelo compositor a partir de obras anteriores, destinadas a diferentes combinações instrumentais. As obras tais como as conhecemos hoje parecem estar associadas ao período entre 1729 e 1737, em que Bach dirigiu o Collegium Musicum de Leipzig, uma orquestra semiprofissional e ≪sociedade de concertos≫ fundada por G.Ph. Telemann, que realizava concertos semanais no Cafe Zimmermann, e para a qual o compositor escreveu ou reviu uma grande quantidade de música instrumental. Assim, para exemplificar a história conturbada destas obras, basta recordar que das primeiras sonatas subsistem duas outras versões: um trio para duas flautas e baixo continuo (BWV 1039) e uma versão, provavelmente apócrifa, para órgão solo, sendo que o original devera ter sido um trio para dois violinos e continuo. Pertencem ao vasto e inovador conjunto de obras de Bach para instrumento melódico — violino, flauta, viola da gamba — com cravo obrigado (≪obligatto≫ em italiano) e em que este instrumento deixa de estar limitado ao então esperado e comum papel de acompanhador, realizando os acordes indicados pelas cifras do baixo continuo, para partilhar a função de solista com o outro instrumento, com o qual dialoga de igual para igual. Apesar de Bach manifestar um grande apreço pela viola da gamba, que incluiu em cerca de 15 obras vocais — cantatas e paixões — compostas ao longo de toda a sua vida, estas três sonatas constituem o culminar da sua escrita para o instrumento e, na
verdade, do repertorio gambistico em geral. A viola da gamba conheceu ao longo do seculo XVI e XVII uma grande voga em toda a Europa enquanto instrumento camerístico, e na transição e primeiras décadas do século XVIII surgiram vários virtuosos do instrumento, sobretudo em Franca e na Alemanha, que compuseram uma extensa literatura, a solo, composta quer por suites ao gosto francês, quer por sonatas ao gosto italianogermanico. No entanto, ao longo de Setecentos foi perdendo popularidade, e apos um quase total desaparecimento, só reencontrou de novo o seu lugar na vida musical já no seculo XX. Sendo um instrumento com características físicas e musicais muito diferentes do violino e do violoncelo — instrumentos com que o publico mais incauto continua a confundir a viola da gamba… — a sua requintada e exigente construção dedicaram-se luthiers muito famosos e considerados no seu tempo pela qualidade da sua produção. Na Inglaterra de finais do seculo XVII — que também conheceu um alargado e entusiástico culto pela viola da gamba — distinguiu-se particularmente o violeiro Barak Norman (1651-1724) que construiu alguns dos instrumentos mais requintados, ainda hoje impossíveis de imitar. Sofia Diniz é um dos poucos interpretes actuais com o privilégio de possuir uma viola da gamba construída por Barak Norman, que fara escutar neste recital Bach.

Intérpretes e Programa

Sofia Diniz, Viola da Gamba de Barak Norman (século XVII)
Fernando Miguel Jaloto, Cravo

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685-1750)

Sonata I em Sol maior, BWV 1027

Adagio
Allegro ma non tanto
Andante
Allegro moderato

Sonata II em Re maior, BWV 1028

[Adagio]
[Allegro]
Andante
Allegro

Sonata III em Sol menor, BWV 1029

Vivace
Adagio
Allegro
Duração aproximada: 45’00”

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Sofia Diniz e Fernando Miguel Jaloto
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